sábado, 16 de fevereiro de 2013

Mover meu corpo

Quero mover meu corpo que adormeceu, falta sangue, atitude , coragem, tudo, mas quero me mover. Entendo que está tudo errado, fora do lugar, fora de ordem e controle, mas tenho certeza que esta tudo longe de onde deveria estar. Todo sonho que tinha, objetivos, vida, tudo isso, nada ainda nasceu. Preciso impulsionar a roda, puncionar minhas veias e deixar jorrar toda mediocridade fora. Quero abster tudo o que recebi, acreditei, me deixei convencer sem demasiadas intrigas,quero desorganizar meus pensamentos, tornar impraticável a democracia do pensar,fazer anarquia em meus impulsos elétricos, deixar meus impulsos humanos me guiar então. Ser algo vivo, sem bits e bytes, sem tops e redes, desenvolver a tecnologia do pensar. Quero conectar meus olhos em alguma alma disponível, sem link direto ou cabo dedicado,quero dedicar meu tempo, apostar fichas DDD e não mais passar um cartão plástico. Solicito o metal duro e frio, mas verdadeiro, não aceito mais plásticas situações,e outros cartões. Rogo de volta a confiança inocente do crer, do coração, sem mais celulares e parafernálias. Acredito, tecnologia que veio para evoluir o mundo, mover as engrenagens e também, desacreditar o homem em seu poder vitalício de amar, olhar nos olhos, ter palavra, confiar. Preciso respirar sem aparelhos, meu coração quer bater sem marcar meus passos, quantos foram que dei por minha conta? Liberdade condicional que ganhei em julgo próprio e único. Quantas mais condições terei a risca para chegar onde preciso? É realidade a condição precária do saber, da espiritualidade, do ser. Ainda sim quero mover tudo do lugar onde está, mudar as coisas de lugar, sei que tudo esta presente, só não esta em seu lugar de origem. O dentro e o fora se mesclaram fazendo uma massa de contradições que então foi necessário criar adjetivos cibernéticos para justificar esta ordem sem critérios as quais seguimos. Agora sim, minha mente também dorme. Quero acordar meu existir. Quero dar bom dia a você que lê, ao mundo, saber que sabes que meu bom dia é feito ao seu coração, e não ao ar que te rodeia. Deixemos as maquinas para os assuntos das maquinas, devolvamos ao homem, os assuntos do homem. Estou aqui, vazio e pronto, para receber o conteúdo da vida. Afinal, ainda sim, preciso me mover, mas preciso de ajuda, o controle remoto esta distante de minhas mãos.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Vida de retalhos

Hoje acordei pensando em cortar os gastos, cortar a cena, cortar tudo, e no fim de tudo, claro, cortar meus pulsos. Acordei, mas não me levantei, cortei meu dia. Fiz de tudo, do livro escrito, da palavra dita, da historia repetida outra igual, mas retalhada dentro de meu brechó de farrapos baratos a venda em lugar nenhum. Uma colcha de retalhos, miúdos e juntos, cores belas e diversas, rasgadas sem forma alguma, viradas a agulha e linha, juntas no fim para cobrir os sonhos de mais alguém dentro do mesmo conto. Continuo cortando, recorto, pinto, refaço, misturo, vejo, tudo outra vez, continuo a cortar, retalhar meu presente, que nunca ganhei. Mas vou assim, tesoura nas mãos e dividindo tudo aquilo que já estava desgarrado, arrancado e dissipado de mim. Reconheço agora minha figura, desfigurada, tal qual imaginava. Insatisfeito ainda, cortei a noite, desta vez com lamina afiada, faço tal rasgo que todas as estrelas caem sobre mim, enchem minha colcha já retalhada de belas estrelas fincadas em sua estrutura. Acordei da mesma historia, cansada, cortada e retalhada, agora desta vez, perfurada pelas belas estrelas que iluminavam as cores daquele trapo belo. Meu céu de estrelas agora é raso. Tão raso quanto eu desejava, cortei os céus, a noite, por não poder alcançar o estado de espírito elevado que me fizesse então que meu toque áspero e duro, pudesse se ferir no brilho impar daquelas figuras estreladas, testemunhas de toda insônia, de todo amor, de toda tristeza. Sim, rasguei meus sonhos, minha vida, minha porca e suja historia, e deixei que todo o mundo desaba-se por cima de minhas frágeis colunas, já não apreciadas e criticadas por ninguém, nem por minha pobre e critica auto crítica. Tolice, meu rosto agora tem nada mais que poucas muitas cicatrizes, cada qual com seu argumento e beleza, sem sol, sem lua, sem nada, sem tudo. Sou minha própria colcha de retalhos, virados em cortes sem linha. Soldei minha tristeza a minha felicidade, sem mais sentir falta de ambas. Passos, pulsos, sem jeito, desajeito meus arrumados e dou então meus passos a frente, desta vez sem linhas para tropeçar ou confundir-me. Faço de minhas cores belas e reluzentes o palco de uma nova historia, um novo conto, uma crônica, poesia, prosa, papo, conversa, grito, o que for, a porra de um monologo até um dialogo sozinho. Que seja, faço, monto, reconstruo tudo aquilo que cortei, formando novas formas, novos caminhos. Refaço meu animo, meus pulsos pontilhados com corte aqui, agora estão com os dizeres: "cole aqui... o que desejar". Meus traçados, pontilhados, se revestem de cores incolores, esperando que todo contraste reveze o real desejo escondido dentro de meus pensamentos e então seja uma só figura, multicolorida, multirecortada, desfigurada aos olhos de todos, mas figurada e sim, real aos meus e seus olhos. Tanto correr, tanto cortar, pintei e bordei, para assim, sermos eu e você, que nem sei mais quem é, ou o que sou. Mas sim, somos agora, uma só, colcha de retalhos.